CASA MUSEU UNAMUNO
1 horaEm 1953, a moradia tornou-se oficialmente a Casa-Museu Unamuno, preservando assim sua memória e seu legado intelectual. Após o falecimento do escritor e filósofo, a Universidade decidiu transformar a Reitoral em um espaço que conservasse sua atmosfera histórico-artística e evocasse o ambiente íntimo e familiar em que Unamuno viveu. Para isso, transferiu de sua residência na rua Bordadores o mobiliário e numerosos objetos pessoais tanto de Unamuno quanto de seus filhos, hoje distribuídos pela sala de jantar, estúdio, dormitório e o salão reitoral. Um dos elementos mais destacados é sua valiosa biblioteca, com mais de 6.000 volumes compilados pelo próprio Unamuno, juntamente com seu arquivo pessoal, adquirido posteriormente pelo Estado Espanhol.
A Casa depende da Universidade de Salamanca e tem como funções primordiais custodiar e manter a memória de Miguel de Unamuno, bem como difundir sua obra, conservar e ampliar seu legado patrimonial e oferecer programas culturais e educativos de acordo com a temática do centro.
Preço visita livre
- Individual - 4.00 €
- Grupos - 2.00 €
- Estudiantes - 2.00 €
- Familia numerosa - 2.00 €
- Jubilados - 2.00 €
- Niños (Edad máxima: 11) - 0.00 €
O edifício que alberga a Casa-Museu Miguel de Unamuno foi construído pelo arquiteto Andrés García de Quiñones entre os anos 1758-176. Foi edificado com um duplo objetivo: servir como Sala de Claustros e como residência do Reitor da Universidade de Salamanca. Miguel de Unamuno chegou a Salamanca em 1891, após obter por oposição a cátedra de língua grega. A partir de 1900, quando foi eleito reitor, instalou-se com a sua família na Casa Reitoral, onde permaneceu até à sua destituição em 1914. Nesta residência nasceram os seus quatro últimos filhos e muitas das suas obras mais célebres foram concebidas, entre elas Paisagens, Do meu país, Poesias, Vida de Dom Quixote e Sancho, Do sentimento trágico da vida e Nevoeiro. Após a sua destituição, a família teve de abandonar a casa e procurar um novo lar, instalando-se então naquela que seria a sua última residência, a casa da rua Bordadores.
A Casa-Museu foi inaugurada em 1953, coincidindo com a comemoração do sétimo centenário da fundação da Universidade, graças à iniciativa do reitor Tovar. Para isso, foi escolhida a antiga Casa Reitoral, conhecida também como Casa da Parra, com o propósito de preservar e difundir o legado vital e intelectual de Miguel de Unamuno, um dos principais representantes da Geração de 98.
Após o falecimento do escritor e filósofo, a Universidade decidiu transformar a Reitoral num espaço que conservasse a sua atmosfera histórico-artística e evocasse o ambiente íntimo e familiar em que Unamuno viveu. Para o conseguir, trasladou da sua residência da rua Bordadores o mobiliário e numerosos objetos pessoais tanto de Unamuno como dos seus filhos, hoje distribuídos pela sala de jantar, estúdio, quarto e sala reitoral. A direção do museu recaiu inicialmente nas mãos de Felisa, filha do próprio Unamuno, o que reforçou ainda mais o vínculo familiar com este espaço.
Unamuno doou a sua biblioteca pessoal à Universidade pouco antes da sua morte. Esta coleção reúne mais de 6.000 volumes, muitos deles enviados pelos seus próprios autores com dedicatorias, desejosos de conhecer a opinião do intelectual sobre as suas obras. A biblioteca reflete a amplitude de interesses de Unamuno, que abrangiam disciplinas tão diversas como a filosofia, a medicina, a história e a religião. Também evidencia o seu domínio de vários idiomas e a sua intensa relação com outros escritores, especialmente hispano-americanos e portugueses.
A Casa-Museu constitui hoje um referente fundamental para a investigação sobre Miguel de Unamuno, graças à decisão dos seus filhos de vender o arquivo familiar ao Estado com a condição de que fosse custodiado pela Universidade de Salamanca.
Desde então, a instituição tem mantido um estreito vínculo com a figura do escritor, preservando e enriquecendo, ano após ano, um valioso património que continua a crescer mediante novas aquisições, doações e depósitos.
A Casa Museu Unamuno situa-se junto à fachada plateresca Escuelas Mayores, na confluência da rua Libreros com a rua Calderón de la Barca. Trata-se de uma construção barroca realizada em pedra de Villamayor por Andrés García de Quiñones. De planta retangular, é composta por dois andares, com fachada aberta para duas ruas. A portada é emoldurada por um robusto bocelón sobre o qual se destaca o escudo da Universidade de Salamanca, acompanhado do lema: “Omnivm Scientarvm Princeps Salmantica Docet”. Este mesmo escudo, ricamente ornamentado com motivos rococós, repete-se na esquina do edifício. Os marcos de suas sete varandas evocam o estilo característico do arquiteto, semelhantes aos de outros edifícios construídos por Quiñones na cidade, como a Prefeitura ou a Hospedería Fonseca.
O PERCURSO
O percurso por estes cômodos permite descobrir tanto a vida familiar do escritor quanto seu legado intelectual. O edifício se organiza em três andares: • Térreo: abriga a zona institucional, onde se destaca o amplo Salão Reitoral, espaço no qual se exibe parte do patrimônio artístico da Universidade. • Primeiro andar: acolhe a seção museológica e a antiga residência familiar, que conserva o mobiliário e os objetos pessoais de Miguel de Unamuno. Nesta área encontram-se principalmente o estudo, o dormitório e a biblioteca, com a maior parte dos pertences originais do escritor e de sua família. • Segundo andar: é dedicada integralmente à pesquisa, com a sala de consulta e o arquivo.
INTERIOR DA CASA MUSEU A Universidade de Salamanca, em sua contínua labor para perpetuar e transmitir o pensamento e a presença de Unamuno, procurou mostrar o ambiente em que a vida de Unamuno transcorreu durante os anos em que exerceu como Reitor da instituição acadêmica. Para esse fim, a ambientação histórico-artística do museu foi cuidadosamente elaborada, buscando recriar o ambiente familiar e doméstico em que sua existência se desenrolou, hoje objeto de visita. Outras áreas da casa foram intervencionadas com o objetivo de convertê-la em um centro aberto ao estudo e pesquisa da obra de Dom Miguel.
Vestíbulo Antes de entrar no Salão Claustral, no vestíbulo, encontramos um retrato de Unamuno por Manuel Losada, realizado logo após ser nomeado reitor. Essa imagem era a preferida de Unamuno, na qual ele se via fielmente refletido.
O Salão Reitoral O Salão Reitoral foi palco de atos de acolhimento e cerimônias protocolares, além de reuniões do Claustro. De maneira singular, Miguel de Unamuno também o utilizou como espaço de trabalho pessoal. Hoje em dia, a Universidade de Salamanca utiliza esta sala para encontros acadêmicos, conferências, palestras e coletivas de imprensa. O salão conserva um valioso mobiliário histórico, patrimônio da instituição, e é presidido por uma imponente tapeçaria barroca do século XVII, elaborada nas oficinas de Bruxelas. Entre as peças mais destacadas encontram-se um bargueño barroco, um arcaz renascentista de oito chaves, vários espelhos barrocos e retratos de antigos estudantes e professores.
O cômodo é presidido pelo retrato de Miguel de Unamuno, realizado por José Aguiar em 1935. A obra, carregada de simbolismo, reflete a profunda relação do pensador com Salamanca: sobre um fundo onde se perfilam as catedrais e a Ponte Romana, ergue-se a majestosa figura do escritor, que segura com firmeza em sua mão direita um exemplar de El Cristo de Velázquez.
Primeiro Andar - Zona Expositiva O primeiro andar reúne a parte expositiva e didática, que nos aproxima do percurso vital de Miguel de Unamuno: sua faceta como professor, político e homem de múltiplas paixões. Neste espaço são exibidos valiosos conjuntos iconográficos e artísticos. Daqui se acede às dependências que em seu tempo foram a residência familiar, composta principalmente pelo estudo, o dormitório e a biblioteca. A maior parte do mobiliário e objetos pessoais do escritor e de sua família se conservam nestes cômodos, trasladados de sua última residência na rua Bordadores.
No corredor, uma vitrine mostra inúmeras figuras de origami, uma de suas grandes paixões. Os livros do pensador cobrem as paredes da sala de jantar, onde se destaca a cadeira de balanço junto à lareira. Da janela, aprecia-se a parreira que adorna a lateral da casa, à qual Unamuno dedicou um poema. Os cômodos são enriquecidos com valiosas obras de arte: retratos, caricaturas e paisagens de artistas como Vázquez Díaz, Gallego Marquina, Darío Regoyos ou Echevarría. Também se conservam desenhos e pinturas de juventude realizados pelo próprio Unamuno, testemunho de sua afeição pelas artes plásticas.
No estudo encontram-se sua mesa de trabalho, o diploma de sua formatura universitária, quadros, fotografias e os bastões que utilizava para outra de suas grandes paixões: caminhar. O dormitório guarda a mala com a qual regressou de seu exílio francês em 1930 e o desenho que Gregorio Prieto realizou em 1915 do célebre Cristo de Velázquez, presenteado ao escritor em reconhecimento à sua devoção pela obra de Velázquez. Lá se conserva sua cama, a mesinha com seus óculos e um curioso atril desenhado por ele mesmo para ler confortavelmente na cama. Nos detalhes do armário, descobrem-se objetos cotidianos que nos aproximam de sua intimidade.
Segundo Andar O segundo andar é dedicado à pesquisa. Abriga sua biblioteca e arquivo pessoal, além de um centro de documentação de grande interesse para reconstruir o período compreendido entre o final do século XIX e o primeiro quarto do XX. Aqui se conserva a prática totalidade de seus rascunhos, manuscritos, cartas, desenhos e fotografias. O arquivo reúne mais de 25.000 cartas, testemunho de suas relações com intelectuais e personalidades de todo o mundo, entre eles Henri Miller e Albert Einstein.
Ao longo do ano, são realizadas exposições organizadas pela própria Casa Museu ou por outras entidades públicas. A Casa também cede em depósito tanto documentos de arquivo, quanto livros ou outros bens patrimoniais com o objetivo de que sejam exibidos fora do Museu. De especial importância foi a exposição "D. Miguel de Unamuno. Uma vida em fotografias" por ocasião do 70º aniversário de sua morte, realizada na Sala Santo Domingo de la Cruz de Salamanca, assim como a mostra de seus "Desenhos" por ocasião do 75º aniversário de sua morte.